terça-feira, 21 de junho de 2011

Organizar

Comecemos por uma simples experiência, com base em três listas de dez
palavras cada.
LISTA A                 LISTA B                     LISTA C 
Aquela                   supermercado              árvore
Criança                  compras                       peão
Que                        batatas                         casa
Brincava                fruta                            balde
Com                       legumes                       carro
Uma                      queijo                           meia
Bola                       leite                            caneta
Estava                   pão                              giz
Muito                    dinheiro                      cimento
Feliz                      caixa                           lobo


Leia a lista A, uma vez. Agora, sem olhar a lista, escreva, por ordem, todas as
palavras, numa folha de papel.
Em seguida, proceda do mesmo modo com a lista B e a lista C.
Compare os resultados.
Afinal, o que aconteceu?

*É provável que se tenha lembrado de todas as palavras da lista A, pois
constituem uma frase completa, um todo organizado. 
*Quanto à lista B, talvez tenha falhado alguma coisa. Trata-se de uma
lista de palavras soltas, embora seja possível estabelecer uma certa
ligação dessas palavras em torno da ideia-chave «supermercado» ou
«compras».
*Quanto à lista C, naturalmente os resultados serão menos
satisfatórios, porque as palavras não têm, à primeira vista, qualquer
ligação entre si.
Esta experiência mostra que a capacidade de aprender e recordar aumenta
quando os assuntos são bem estruturados e fazem sentido. Memoriza-se melhor um
todo ordenado do que fragmentos isolados. É por isso que os autores dos manuais se
preocupam em arrumar bem a matéria, para que os estudantes a captem melhor.
A memória imediata e espontânea capta facilmente o que é simples e agradável.
A memória activa ou intencional obriga a pessoa a organizar e a arrumar as suas ideias,
no «ficheiro cerebral», de modo a poder conservá-las.
Construir uma casa não é amontoar tijolos. Do mesmo modo, aprender não é
amontoar ideias dispersas no cérebro, como se fosse um cofre qualquer. Aprender é
saber «arquivar» os conhecimentos com organização.
Organizar as ideias implica, entre outras, duas condições básicas:
*Descobrir e fixar a ideia-base, a regra ou o principio organizador
da matéria. O cérebro guarda melhor as informações arrumadas em
torno da ideia principal. De pouco vale o esforço, se não se capta o
essencial.
*Não perder de vista o todo. Quando a matéria é complexa ou em
grandes quantidades, é aconselhável dividi-la em partes e captar uma
de cada vez. Porém, não se deve perder a ligação de cada parte com o
todo. Para tal, poder-se-á fazer uma rápida revisão da matéria já
aprendida, antes de partir para novas aprendizagens.

Compreender

Há coisas que um estudante precisa de decorar como, por exemplo, o alfabeto,
verbos de uma língua estrangeira, regras de gramática, expressões técnicas e fórmulas de Física ou Matemática.
Para decorar, existem várias técnicas. Alguns estudantes repetem a matéria em
voz alta. Outros gravam fitas que ouvem mecanicamente. Outros ainda inventam
cantilenas, artifícios, truques...
Tudo isto pode resultar, mas resulta por pouco tempo, se não existir compreensão da matéria que se pretende aprender.
Uma boa captação não é o simples registo mecânico dos assuntos, como se
fôssemos gravadores de som e imagem. Só as coisas compreendidas entram na
memória «a longo prazo».
Decorar sem compreender é uma técnica que deixa as coisas «presas por
alfinetes». É, por isso, uma técnica muito falível, mesmo para quem deseja apenas aprender para «despejar» numa prova. A memória põe de lado o que não compreende e não considera útil.
O estudante que decora sem compreender faz um esforço inglório e desperdiça o
seu tempo. Frequentemente «baralha» as coisas e nem sequer tem consciência dos erros que comete. Qualquer professor experiente vê, de imediato, que ele fez um «enchido», uma «acumulação mecânica» e não sabe aquilo que diz.
Antes de decorar, é necessário compreender a matéria, perceber o seu
significado e a sua aplicação.

Captação

A captação é a primeira etapa.
Ler um texto, ouvir um professor e observar a realidade são formas diferentes de
captação.
Uma boa captação dos assuntos implica:
* compreender, antes de decorar;
* organizar as ideias;
* relacionar os conhecimentos.
A memória tem de ser apoiada pela inteligência que compreende, organiza e
relaciona.

INTRODUÇÃO

Quando chega a hora de prestar provas, alguns estudantes ficam perturbados
com a sua falta de memória: «está mesmo debaixo da língua»; «não percebo o que
aconteceu, esqueci tudo».
Muitas vezes, a memória falha, porque a aprendizagem foi feita sem motivação
outras vezes, falha, porque a aprendizagem foi feita sem método. Melhorando a motivação e o método, a memória ganha eficiência.
O método que propomos é uma síntese de várias técnicas de estudo, baseadas na
psicologia da aprendizagem. Consta de três etapas: captação, auto-avaliação e revisão.